sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Corre que vão defumar


      Louva-se a Oxalá, Iemanjá, ora-se ao Pai Nosso, à Ave-Maria, clama-se aos espíritos superiores ajuda aos desamparados. A Prece de Cáritas reforça esses clamores e, por último, o Hino da Umbanda. Mas, antes de tudo isso, há algo que sempre me encantou e arrancou, confesso, muitas gargalhadas: a defumação.
      Simplificando bastante, a defumação é feita com ervas e serve para “proteger” contra as forças adversas da vida ou do mundo espiritual (não é só para proteção, mas também para limpeza mediúnica e do ambiente físico). O carvão esquenta as ervas e surge aquela fumacinha cheirosa e mágica. Há sempre duas pessoas responsáveis pela defumação: uma carrega o copo dágua enquanto a outra, o próprio defumador. E vão passando por cada médium do terreiro, emanando limpeza, dentre outras coisas positivas. Depois, passam com o defumador pela assistência e seguem até chegar ao lado de fora do terreiro.
      Onde eu vejo graça nisso? Justamente na assistência, pessoas que vão tomar passe. Quando sabem que vão passar com o defumador perto deles, saem correndo, é um empurra, empurra, ficam loucos, sedentos pela fumacinha na cara. Eu acho isso tão engraçado e, ao mesmo tempo, me questiono tamanha ignorância! Afinal, não é aquela fumacinha que vai fazer o milagre na aura, no espírito, seja lá onde for, mas sim a condição mental vibratória positiva, que transforma pedra em flor, todos os dias. É a chata, indispensável e tão batida nas conversas dos espíritas, reforma íntima. Enquanto você não muda de dentro para fora, não adianta fumaça no rosto, porque dentro está podre.
      Mas ao mesmo tempo, ver aquelas pessoas correndo, me remete à fé. Elas acreditam tanto naquilo! A fé já rompeu tantas barreiras e deixou tantos cientistas no chinelo, sem explicações lógicas.
      Eu tenho minhas crenças, minha fé, meus estudos a respeito do assunto, mas mesmo com toda devoção do povo, não consigo deixar de esboçar meu riso quando sou eu quem faço parte da assistência. Claro, ofereço meu lugar aos desesperados pela fumaça cheirosa e minha noite já fica mais divertida.