quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Querido picareta

          Você disse que vinha e não veio. Prometeu explicar e não explicou. Chegou atrasado num dia importante e deixou esperando uma cadeira vazia, uma explicação e quase um coração na mão. Que falta de consideração!

          Além do mais, você mente. Diz que anda de fusca e circula ofuscante na sua Hylux do ano. Quer ser ECO Natura, mas se parece mesmo com o ECO Fandangos.

          E agora, depois de tantos meses, você precisa me avaliar. Vai usar como parâmetro sua conduta?

          Aguardo resposta.
          Com carinho, da aluna.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Menina da vida

Nasceu a menina rica, de sonhos e palavras. Na boemia do seu leito, compunha suas paixões e afundava-se em profundo lirismo. No tempo em que sonhar era muito mais que planejar algo que se queria, era desejar o desconhecido. Ter o intangível na palma das mãos e transpor todo sentimento em versos simples. 

Cresceu a menina rica, de sonhos e palavras. Na boemia da vida, aos poucos, se afundava ao viver suas paixões. O lirismo deixou de ser substantivo para ser pranto. E o tempo, que antes era cortês, tornou-se apenas um aliado para o consolo da alma. O intangível saltou das mãos e os versos sumiram. 

A menina esqueceu-se da riqueza dos seus sonhos e palavras. Agora é rica de esperança. Teme não encontrar aquilo que um dia a fez desejar o desconhecido, mas sorri sempre que pensa que mais longe já esteve. Chegou a morrer em seu leito e renasceu nos versos de saudade da vida da menina que um dia conquistou o mundo em seus sonhos, com suas palavras.

Carol Vianna

Atropela, o tomate vai acabar!


          Quarta-feira, dia de feirão no mercado e único dia da semana que posso fugir da rotina para fazer a obrigação do lar. É na área de frutas e legumes onde começa meu desespero. Pessoas ensandecidas empurrando seus carrinhos, sem enxergar um palmo à sua frente que não seu alimento e sua pressa.

       Seria inteligente todos pararem seus carrinhos em pontos estratégicos, lê-se, sem atrapalhar a passagem, para que possamos escolher os tomates sem tumulto. Aquilo mais parece um corredor polonês ou pista de carro bate-bate, do que de uma sessão do mercado. Ora é engraçado, ora é dolorido. Mas sempre desesperador.