segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Wise Up: Inglês Inteligente?


Eu concluí minha faculdade com louvor. No mínimo isso demonstra o tamanho do meu comprometimento com o estudo. E quem me conhece sabe que quando eu resolvo fazer algo busco a excelência.


Eu gosto de estudar. Não sou de família rica, trabalhei para ajudar a financiar minha faculdade e, como milhares de pessoas neste país, não estudar inglês ou outros idiomas foi por falta de chance e oportunidade (são cursos caros). Mas depois de tanto esforço, eu vi essa chance pertinho e sem demora fui atrás de um cursinho.

Comecei minha busca por cursos rápidos como Up Time e Wise Up e segui para escolas com métodos tradicionais como Cultura e Thomas. Vou falar somente de duas.

Em uma dessas escolas me trataram muitíssimo bem, mesmo pelo telefone foram muito gentis antes mesmo da entrevista. Me receberam no horário que pude, me explicaram tudo (metodologia, didática, horários...) com toda calma e paciência. Enfim, conseguiram vender bem a escola. Saí de lá louca pra começar a estudar, mas como consumidora, percebi a necessidade de fazer outros orçamentos. 

No mesmo dia (sexta, 29/11/2013) entrei no site da Wise Up e me cadastrei para falar com um dos consultores. Uns três dias depois me liga um sujeito, chamado Sérgio, que diz ser gerente da Wise Up, e me pergunta como foi o resultado do meu teste. Disse a ele que não tinha feito teste algum. Sem muita demora ele me lembrou de que vivemos numa selva capitalista e de cara fez logo a pergunta: “É você mesma a responsável financeira ou você depende de terceiros para financiar seu estudo?” Eu respondi que sou a responsável, blablablá, realmente pareceu ser a resposta certa porque ele eufórico disse: “ótimo!”. E logo sugeriu uma entrevista para explicações da metodologia, blablabla. Perguntou se eu poderia ir sábado pela manhã (eu já tinha compromisso com meu filho) e disse que não poderia. Bastante intrometido ele soltou: “Ah! Eu te entendo. Tá pensando na balada de hoje e precisa acordar mais tarde amanhã, né!?” Sinceramente eu nem sei porque eu respondi: “Não querido, sou mãe de família e tenho compromisso com meu filho.” Ele ficou sem graça, gaguejou um pouco e eu sugeri que a entrevista fosse terça à noite. Sem demora ele disse que me ligaria na segunda para confirmar. Dito e feito. Hoje ele ligou, e perguntou que horas eu poderia. Eu mal terminei de falar a frase “ficamos de marcar amanhã”, ele me atropelou, disse que tinha que ser hoje. Quando eu disse que não podia, com um tom de voz alterado e irônico, ele disse: “Faz o seguinte, quando o inglês for uma prioridade na sua vida você entra em contato, ok. Tenha uma boa tarde.”. Falei ok e desliguei.

Fiquei perplexa. Ainda estou. Meu dinheiro essa escola não ganha. Educação e bom senso agregam valor. Pessoas inteligentes sabem disso. Me assusta uma empresa, eleita a “Escola de Inglês Oficial da Copa do Mundo da Fifa 2014”, não capacitar pessoas adequadamente para atender ao público pelo menos com respeito. Assusta-me ainda mais o sujeito ser gerente da escola.

Mas que bom que eu não esmoreci diante de tamanha imbecilidade. Amigos consumidores, não se deixem abater por pessoas mal treinadas. Coloquem a boca no trombone e vamos fazer com que essas empresas capacitem pessoas para nos atender da forma que merecemos.

Carol Vianna
2/12/2013

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Violência contra a mulher

Antigamente, as mulheres eram consideradas o sexo frágil. Não tinham direito algum. Como se não bastasse, eram submissas e desrespeitadas. Grandes mulheres do passado, inteligentes, tinham seus projetos, pesquisas, invenções camufladas sob o nome do marido. A própria esposa de Einstein era intelectual (dramática e melancólica). Dizem que grandes descobertas dele partiram dela. Enfim, com o tempo, as mulheres conseguiram provar ao mundo sua força e capacidade. O reconhecimento tardou mas chegou. 

Hoje, mesmo com tanta reviravolta, quantas mulheres ainda são agredidas, traficadas, por homens e acreditem, por mulheres também, que se acham no direito de roubar o que o ser humano tem de mais precioso: sua liberdade. Junto, roubam também o respeito, a dignidade, o amor, os sonhos... Com que direito? Por dinheiro? Até onde vai a ganância do ser humano? 


Além do tráfico de mulheres, há que se revoltar também com a prática do estupro. Violência de poder e opressão. É praticamente um ato milenar e ocorre em todos os cantos do mundo. Na Índia, segundo o jornal O Dia, 24.206 casos do tipo foram registrados em todo o país contra mulheres, em 2011. Assustador. Tão revoltante quanto as circuncisões femininas, ainda realizadas em vários países da África. Mutilação genital feminina. Sim, ainda existe! Crianças de 4 a 6 anos são submetidas a essa estupidez. Jovens garotas ou adultas que não tiveram seus membros arrancados quando crianças também não escapam. Após isso, a mulher é considerada limpa e bela. A mutilação também representa a submissão ao futuro marido. Ah! O casamento é prometido, entretanto, muitos casamentos não acontecem. As crianças morrem sangrando.

Waris Dirie

Waris Dirie, modelo circuncidada protesta: "A prática continua porque o mundo não toma nenhuma atitude séria contra isso, nem a ONU, nem nenhum outro país do mundo. Encontrei muitos políticos. E ouvi muito 'blábláblá'. Mas não vejo nenhuma atitude séria para acabar com esse crime". É complicado interferir numa cultura. Para nós, do ocidente, isso fere o Estado, os direitos humanos e nos causa repúdio. Para eles é só uma prática de purificação.

Visão com a burca

Outra questão cultural, mas que agride a mulher pela degradação da imagem é o uso das burcas. É uma falta de dignidade. A visão e a respiração ficam comprometidas. O calor naquelas terras é infernal. Há constantes dores de cabeça que se dão pela pressão do elástico interno (que prende a peça da cabeça).  Em 11 de abril de 2011, foi proibido o uso das burcas na França. Um bafafá danado. A lei tentou ser boa, mas não agradou muito. Na época, o presidente Nicolas Sarkozy justificou a proibição. Afirmou que a burca não é símbolo religioso, mas a forma mais pura de submissão feminina. Já para elas é um ato de profundo respeito pela religião. No Afeganistão existe uma lei que defende a ideia de que o marido pode fazer sexo com a esposa xiita quando quiser, mesmo a contra gosto (estupro). O que será que elas pensam disso? Ato de respeito pelo marido?

Basta! 

A atual novela (Salve Jorge) de Glória Pérez traz erros geográficos inacreditáveis, dentre outras coisas, mas como autora, sempre trouxe temas polêmicos tais como barriga de aluguel, a quebra da tradição em famílias ciganas, clonagem, drogas, ..., e agora o tráfico de mulheres. É de tirar o chapéu. E é um começo. Se ninguém falar, as pessoas não vão começar a pensar no assunto, muito menos transformar suas consciências e atitudes. 

A televisão, como mídia de massa tem o papel de conscientizar (ou deveria ter), mesmo que grande parte dos telespectadores ainda ignore a realidade e pensem que a novela é só um conto da carochinha. A verdade está aí. Com tanta comunicação hoje em dia, só não enxerga quem não quer.

Carol Vianna