sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Menina da vida

Nasceu a menina rica, de sonhos e palavras. Na boemia do seu leito, compunha suas paixões e afundava-se em profundo lirismo. No tempo em que sonhar era muito mais que planejar algo que se queria, era desejar o desconhecido. Ter o intangível na palma das mãos e transpor todo sentimento em versos simples. 

Cresceu a menina rica, de sonhos e palavras. Na boemia da vida, aos poucos, se afundava ao viver suas paixões. O lirismo deixou de ser substantivo para ser pranto. E o tempo, que antes era cortês, tornou-se apenas um aliado para o consolo da alma. O intangível saltou das mãos e os versos sumiram. 

A menina esqueceu-se da riqueza dos seus sonhos e palavras. Agora é rica de esperança. Teme não encontrar aquilo que um dia a fez desejar o desconhecido, mas sorri sempre que pensa que mais longe já esteve. Chegou a morrer em seu leito e renasceu nos versos de saudade da vida da menina que um dia conquistou o mundo em seus sonhos, com suas palavras.

Carol Vianna

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